quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Agentes penitenciários são contra o governo contratar temporários e ameaçam greve

O governo do Rio Grande do Norte informou que pretende contratar 700 agentes penitenciários “temporários”. Utilizará a mão-de-obras no presídio de Alcaçuz, palco da chacina de 26 presos. A providência irritou a direção do sindicato estadual da categoria. Presidente da entidade, Vilma Batista defendeu a contratação de novos agentes em caráter definitivo.
Vilma declarou que, se o governo não der meia-volta, a corporação dos agentes penitenciários entrará em greve. Uma Assembleia da categoria foi marcada para esta quinta-feira (19). “Temos cerca de 30 agentes que passaram no último concurso e já se submeteram a boa parte do treinamento. Estão prontos para ser nomeados.”
Há no Estado, segundo Vilma, algo como 900 agentes penitenciários. Na conta do sindicato, o ideal seria um contingente de 1,5 mil servidores —todos no quadro permanente. Autoridades e sindicalistas se desentendem num instante em que a cadeia de Alcaçuz ainda se encontra amotinada.
JOSIAS DE SOUZA


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‘A gente só sai quando derramar a última gota de sangue’, diz preso no RN

Por Aura Maza / O Globo
Presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Região Metropolitana de Natal, ameaçam promover uma nova matança caso o governo estadual não transfira detentos ligados a uma facção rival para outra unidade prisional. É o que avisa um preso que conversou por telefone com a reportagem do GLOBO por volta das 18h30m desta terça-feira.
— Nós não quer o PCC aqui não, nós quer que tire eles. E eles (governo) tinham até hoje para tirar eles (preso). Não tirou. Com quatro dias que não tiraram, hoje, nós vamos matar tudinho — diz o preso, que se intitula membro do Comando Vermelho e aliado do Sindicato do RN. — Nós quer que tire eles. Bote eles pra Caraúba, Mossoró, bote pros infernos da terra, mas não deixe perto de nós. Porque Alcaçuz é só nossa. Tá entendendo? É só nós. Aqui a gente só sai quando derramar a última gota de sangue.
Segundo o preso, a situação em Alcaçuz é crítica. Ele diz que há detentos com ferimentos à bala e cortes. Ele não descarta que outros presos tenham sido mortos além dos 26 contabilizados pelo governo.
O GLOBO conversou com o preso por cerca de três minutos por intermédio de sua mulher, de 19 anos, que não quis se identificar e mantém conversas regulares com o marido por telefone. Ontem, de um morro próximo ao presídio, ela acenava para o marido enquanto acompanhava a movimentação dos detentos.
— Olha lá, é aquele com uma bandeira azul perto do pavilhão cinco. Ele está vivo, você está vendo? — disse a jovem.

domingo, 15 de janeiro de 2017


Imprensa internacional destaca violência em presídio do RN

O britânico The Guardian, por exemplo, buscou contextualizar o conflito das gangues brasileiras em busca de território

A rebelião que destruiu parcialmente a Penitenciária Estadual de Alcaçuz e terminou com a morte de até 20 presos, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte, foi destaque na imprensa internacional.
O americano The New York Times publicou duas reportagens sobre o caso. A matéria destaca a violência com que os presidiários foram mortos — 25 teriam sido mutilados e decapitados — e que 40% dos internos ainda aguardam a sentença.

Secretário de Segurança corrige número de mortes na rebelião de Alcaçuz, são 26

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Durante a entrevista coletiva realizada na noite deste domingo (15), na Escola de Governo no Centro Administrativo em Natal, o Secretário de Segurança Caio Bezerra, anunciou que na verdade foram 26 os presos assassinados dentro da Penitenciária Estadual de Alcaçuz.
Os corpos foram retirados de dentro da unidade na parte da tarde e encaminhados para a sede do ITEP no Bairro da Ribeira em Natal. Ao chegar, eles foram colocados dentro de um caminhão com câmara fria e levados para o Quartal Geral da Polícia Militar por medida de segurança.
Nesta segunda-feira (16), terá início o trabalho de identificação e necropsia dos corpos, que de acordo com Marcos Brandão, diretor do ITEP, deve durar cerca de 30 dias.
Os peritos atuarão para identificar os corpos através da arcada dentária, DNA e outros métodos.
Entre os corpos, dois estão parcialmente carbonizados, muitos com perfurações em várias partes do corpo e todos estão decapitados.

ITEP monta estrutura para recebimento de corpos e atendimento aos familiares

O Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) preparou uma estrutura especial e reforçou a equipe de servidores para receber os corpos e atender aos familiares dos presos mortos na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, na Grande Natal.
Desde as primeiras horas da manhã, a diretoria do órgão concentrou-se na operação de reforço da equipe, montagem da estrutura e contratação de um caminhão frigorifico para manter os corpos conservados durante o processo de exames periciais e de identificação humana.
Neste momento, o ITEP conta com quatro equipes de criminalística, cinco necropapiloscopistas, quatro identificadores criminais, quatro arquivistas criminais, quatro médicos legistas, dois odontolegistas, além de duas psicólogas e uma assistente social para o acolhimento aos familiares das vítimas.
A estrutura montada para atender as famílias conta com 199 cadeiras e quatro tendas, que estão montadas em frente ao prédio e na parte de trás, na rua onde fica o necrotério e também está o caminhão frigorifico.⁠⁠⁠⁠


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