Juiz federal sequer levantou tom de voz diante de provocação de Juarez Cirino, um dos defensores do ex-presidente em ação sobre o tríplex do Guarujá
13 fev 2017, 15h11
O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba (Rodolfo Buhrer/Reuters)
O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba (Rodolfo Buhrer/Reuters)
O recesso do Judiciário fez bem ao fígado do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba. Depois de se irritar e reagir aos gritos a interrupções e provocações dos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em audiências de testemunhas no final de 2016, Moro adotou um tom “zen” no primeiro embate com os defensores do petista em 2017.Nesta segunda-feira, durante o depoimento do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli na ação penal em que Lula é réu acusado de ter recebido um tríplex da empreiteira OAS no Guarujá, o magistrado insistiu em saber do ex-executivo se ele sabia os motivos políticos da troca de Nestor Cerveró por Jorge Zelada na diretoria internacional da Petrobras – um pedido do PMDB, “dono” da vaga.
Diante das negativas do ex-presidente da petrolífera e da insistência do juiz, o advogado Cristiano Zanin Martins interrompeu o depoimento acusando Moro de induzir a testemunha na resposta.
“Eu estou fazendo as perguntas, doutor, ouvi pacientemente as perguntas da defesa e do Ministério Público. Eu estou fazendo minhas perguntas”, respondeu o magistrado, que ouviu de Juarez Cirino, o outro defensor do ex-presidente: “suas perguntas são as perguntas de um inquisidor, não de um juiz”
Apesar do tom beligerante de Cirino, Moro sequer levantou o tom de voz ao responder: “Doutor, doutor, respeite o juízo”.
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