Em entrevista exclusiva ao Diário de Natal, ontem, por telefone, Fernando Freire negou ser chefe do esquema de desvio de recursos públicos por meio da nomeação de cargos fantasmas e "laranjas", como denuncia o Ministério Público. "Estou muito tranquilo em relação aos questionamentos judiciais. Nunca cometi nenhuma ilegalidade em meu governo", declarou Freire, que estava no Rio de Janeiro.
Questionado se o esquema de corrupção denunciado pelo MP foi praticado por auxiliares da sua gestão, o ex-governador, que tem como advogado o pernambucano Boris Trindade, disse que a sentença cabe à Justiça. "Essa questão ficará para a Justiça analisar e julgar. No que diz respeito a mim, tenho a consciência tranquila. Vamos esperar a decisão judicial", ponderou o peemedebista.
O juiz da 4ª vara criminal de Natal, Raimundo Carlyle de Oliveira, informou, na semana passada, que pretende proferir a sentença do processo da "Máfia dos Gafanhotos" até o final deste mês. Além de Freire, são réus na mesma ação o ex-deputado estadual Luiz Almir (PV) e mais 13 pessoas ligadas ao parlamentar. Os réus são acusados por corrupção, peculato, falsidade ideológica e formação de quadrilha. De acordo com Raimundo Carlyle, caso Fernando Freire seja considerado culpado, a prisão preventiva dele poderá ser decretada. Segundo a denúncia do MPE, o ex-governador comandou, de 1995 a 2002, um esquema de desvio de recursos públicos, com o repasse de gratificações a funcionários fantasmas indicados pelo ex-deputado estadual.
De acordo com Raimundo Carlyle, caso Fernando Freire seja considerado culpado, a prisão preventiva dele deverá ser decretada.
Ex-governador nega conversão à igreja presbiteriana
Durante a entrevista que concedeu ao Diário de Natal, o ex-governador Fernando Freire negou que tenha se convertido à igreja Presbiteriana, como foi divulgado na última terça-feira, no Blog Visão Política, hospedado no www.dnonline.com.br. Ele disse que chegou a participar de cerimônia religiosa da congregação a convite do seu filho, que tem o mesmo nome do pai, mas nunca se converteu. "Eu sou católico. Fui à igreja a convite do meu filho, que é presbiteriano. Mas nunca mudei de religião", declarou o ex-governador.
A informação de que Freire havia se convertido à fé evangélica foi repassada ao Diário de Natal na última terça-feira. A fonte chegou a citar que ele teria virado líder religioso no grupo do deputado federal Anthony Garotinho (PR). Em contato com a reportagem, Garotinho disse desconhecer a presença do peemedebista entre os presbiterianos cariocas. "Não o conheço", disse.
Em contato com a reportagem, outros seis religiosos ligados a diferentes igrejas presbiterianas do Rio de Janeiro também disseramque não tinham conhecimento da inserção de Freire entre os fieis de suas respectivas congregações. A confusão foi, provavelmente, provocada pela presença de Freire na igreja para acompanhar o filho.
Freire é acusado de chefiar esquema de corrupção
Os réus do processo da "Máfia dos Gafanhotos" são acusados pelo desvio de dinheiro público por meio da atribuição de gratificações de representação de gabinete a funcionários fantasmas. Segundo o MP, as gratificações eram emitidas por meio de cheques-salário sacados ou depositados em favor dos próprios réus ou de outras pessoas a eles ligadas. O esquema, frisou o órgão fiscalizador, durou cerca de dois anos e envolvia 13 "laranjas".
O MP destacou que os cheques-salário continham no verso assinaturas falsas endossando o depósito. De acordo com a denúncia, as pessoas que tinham seus nomes incluídos nos documentos em muitos casos sequer sabiam que eram beneficiárias das gratificações de representação de gabinete. Em outras situações, embora algumas pessoas soubessem e tenham recebido por um período curto de tempo, desconheciam que o valor continuasse a ser pago.
O caso veio à tona depois que diversos contribuintes fizeram a declaração de isentos junto à Receita Federal no ano de 2003 e foram inseridas na "malhafina" diante da informação do fisco de que tinham recebido rendimentos tributáveis acima do limite de isenção e tendo como fonte pagadora o estado do RN, em razão de gratificação de gabinete, sem que tivessem percebido tais valores.
Um consultor de comércio exterior
Depois de exercer os mandatos de deputado federal, vice-governador e governador, Fernando Freire - que disputou a última eleição em 2002, quando foi derrotado pela então candidata Wilma de Faria (PSB) - se afastou da política após o pleito. Ele disse que hoje está dedicado às suas atividades empresariais. O peemedebista declarou que presta consultoria a empresas no eixo Rio de Janeiro/São Paulo, na área de comércio exterior.
Apesar de ser filiado ao PMDB e de, frequentemente, estar em Natal, Fernando enfatizou que não tem nenhuma participação nas decisões do partido. "Desde que me desliguei da política, não tive mais vida partidária. Eu sou um filiado comum do PMDB", declarou.
Questionado se ainda tem pretensão de concorrer a algum cargo eletivo, o peemedebista não descartou a possibilidade de voltar à política. "Política é algo de circunstância. Hoje, não tenho pretensões neste sentido. Mas, não tenho fobia nem obsessão pela política. Tudo depende do momento".
O ex-governador não deu sinais de que venha acompanhando de perto o desenrolar do processo na Justiça. Ao ser questionado, disse que o assunto estava a cargo dos seus advogados.
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